A – Z: Peter Tosh

Depois de uma pequena lacuna de tempo, a série mais querida do Groovin Mood está de volta: o “A – Z” fala hoje de Peter Tosh, trouble man que fez parte da primeira formação dos Wailing Wailers ao lado de Bob Marley e Bunny Livingston.

Essa alcunha de “encrenqueiro” acompanhava Tosh desde pequeno: esquentado, politizado e inteligente, Winston Hubert McIntosh (seu nome de batismo) cresceu na favela de Trenchtown, Kingston (Jamaica), e apesar de frequentemente se meter em problemas, Tosh aprendeu música cedo, na adolescência. Seu mentor foi Joe Higgs, que o apresentou a Bob Marley e Bunny Livingston, futuros parceiros com quem formaria os Wailing Wailers. O primeiro sucesso do trio foi “Simmer Down”, que tornou-se um hit em toda a ilha.

Após a onda de sucessos com o ska, passaram a chamar apenas The Wailers e partiram para o rocksteady, utilizando uma temática mais voltada para o rastafarianismo. Produzidos por Lee Perry, colaboraram para o “nascimento” do reggae.

Tosh era um guitarrista veloz, um excelente vocalista e um compositor essencial. “Stop that Train”, “Get Up, Stand Up”, “No Simpathy”, entre outras, são de sua autoria. Diferente de Bob Marley, que possuía uma visão mais idealista e amorosa sobre o mundo e as pessoas, Peter era revolucionário, e não foi à toa que ganhou o apelido de “Steppin Razor”, alcunha que virou música. Para algumas situações, ele criou seu vocabulário próprio: chamava o sistema de “sucksystem”, e a política de “politricks”.

Sua carreira solo começou quando ainda fazia parte dos Wailers, e em 1976 gravou seu primeiro álbum fora da banda, “Legalize It”.

Sua participação no concerto “One Love” foi histórica – e com resultados desagradáveis. Em reação aos conflitos entre gangues jamaicanas e polícia, Bob Marley organizou um festival que tentasse levar um pouco de paz à situação por meio da música. Porém, no tempo que lhe cabia na apresentação, Tosh cantou suas canções mais militantes e politizadas, enfurecendo as autoridades presentes, e culminando numa série de agressões ao artista nos dias subsequentes ao evento.

Mas isso não foi suficiente para pará-lo. Ele continuou cantando sua raiva contra o sistema, e  recebeu um Grammy por melhor performance de reggae do ano de 1987 com o disco “No Nuclear War.”  Porém, esse era o último prêmio que receberia: em setembro do mesmo ano, um amigo seu, Dennis Lobban, tentou roubar sua casa com o auxílio de mais dois homens. Alegando que não tinha dinheiro, o artista tentou segurar a quadrilha durante um tempo, porém depois de algumas horas o criminoso perdeu a paciência e atirou em Peter e nos convidados que ali estavam. Tosh morreu na hora, assim como dois de seus amigos. Lobban foi condenado à morte por seu crime, porém teve sua pena comutada.

“I’m like a stepping razor
Don’t you watch my size
I’m dangerous!”

(por Dani Pimenta)

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